Espinoza e a linguagem
Abstract
Não há uma "teoria" desenvolvida da linguagem no sistema de Espinoza.A linguagem não é um problema que Espinoza tenha seleccionado como merecedor de ser pensado.Na filosofia de Espinoza, os problemas da linguagem não encontram um lugar sistemático.Espinoza nunca se situa face à tradição de reflexão sobre a linguagem que o antecede ou lhe é contemporânea, nem estabelece qualquer tipo de relação arquitectónica que integre as suas teses sobre a linguagem com alguns outros lugares do seu pensamento.Como Espinoza (1972) escreve de forma clara e categórica: "Mas o meu propósito é explicar, não o significado das palavras, mas antes a natureza das coisas… Isto bastaria para esclarecer a questão uma vez por todas (Ethica 3Def20, nossos sublinhados)".No entanto, sob a forma de enunciados dispersos e não sistemáticos, há em Espinoza algumas teses importantes sobre a linguagem, profundas reflexões, notas subtis e observações luminosas.Em dois momentos precisos, ou melhor, em duas direcções da sua actividade intelectual, Espinoza é como que forçado a dar atenção aos problemas da linguagem: uma diz respeito à sua necessidade de construir uma exegese racional das Sagradas Escrituras; outra surge das questões colocadas no quadro da sua teoria do conhecimento.A primeira tem lugar no Tractatus Theologico-Politicus (TTP); a segunda emerge, sobretudo, na Ethica (E), no Tractatus de Intellectus Emendatione (TIE) e, também, em Korte Verhandeling.Aproximação Exegética A primeira direcção ocorre em contexto hermenêutico, mais exactamente quando, nos capítulos teológicos de TTP, Espinoza propõe o exame dos livros sagrados, unicamente através de uma crítica histórica e filológica, livre de qualquer restrição dogmática e pressuposição teológica.No cumprimento dessa tarefa, Espinoza começa por estabelecer o próprio método exegético que se propõe adoptar. 1 Texto retomado do nosso estudo intitulado "Leibniz e Espinosa sobre temas da Linguagem", in Olga Pombo (2010: p. 143-173).
| Autori: | |
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| Pubblicato in: | InCID Revista de Ciência da Informação e Documentação, vol. 2, n. 1, pp. 16-30 |
| Data di pubblicazione: | 15/06/2011 |
| Editore: | University of São Paulo |
| Tipo di documento: | Articolo |
| Lingua: | portoghese |
| DOI: | 10.11606/issn.2178-2075.v2i1p16-30 |
| ISSN: | 2178-2075 |
| Accesso aperto: | Accesso aperto Diamond: rivista aperta senza costi per autori e lettori – InCID Revista de Ciência da Informação e Documentação |
| Citazioni ricevute: | 1 |
| Soggetti: |
Seventeenth-Century Political and Philosophical Thought
(Social Sciences > Arts and Humanities > Philosophy)
Historical Linguistics and Language Studies
(Social Sciences > Arts and Humanities > Language and Linguistics)
Medieval Philosophy and Theology
(Social Sciences > Arts and Humanities > Philosophy)
|
| Identificativi: | OpenAlex W2041157634 |
Dati dell'indice centrale: OpenAlex (licenza CC0).
| Riassunto: | Não há uma "teoria" desenvolvida da linguagem no sistema de Espinoza.A linguagem não é um problema que Espinoza tenha seleccionado como merecedor de ser pensado.Na filosofia de Espinoza, os problemas da linguagem não encontram um lugar sistemático.Espinoza nunca se situa face à tradição de reflexão sobre a linguagem que o antecede ou lhe é contemporânea, nem estabelece qualquer tipo de relação arquitectónica que integre as suas teses sobre a linguagem com alguns outros lugares do seu pensamento.Como Espinoza (1972) escreve de forma clara e categórica: "Mas o meu propósito é explicar, não o significado das palavras, mas antes a natureza das coisas… Isto bastaria para esclarecer a questão uma vez por todas (Ethica 3Def20, nossos sublinhados)".No entanto, sob a forma de enunciados dispersos e não sistemáticos, há em Espinoza algumas teses importantes sobre a linguagem, profundas reflexões, notas subtis e observações luminosas.Em dois momentos precisos, ou melhor, em duas direcções da sua actividade intelectual, Espinoza é como que forçado a dar atenção aos problemas da linguagem: uma diz respeito à sua necessidade de construir uma exegese racional das Sagradas Escrituras; outra surge das questões colocadas no quadro da sua teoria do conhecimento.A primeira tem lugar no Tractatus Theologico-Politicus (TTP); a segunda emerge, sobretudo, na Ethica (E), no Tractatus de Intellectus Emendatione (TIE) e, também, em Korte Verhandeling.Aproximação Exegética A primeira direcção ocorre em contexto hermenêutico, mais exactamente quando, nos capítulos teológicos de TTP, Espinoza propõe o exame dos livros sagrados, unicamente através de uma crítica histórica e filológica, livre de qualquer restrição dogmática e pressuposição teológica.No cumprimento dessa tarefa, Espinoza começa por estabelecer o próprio método exegético que se propõe adoptar. 1 Texto retomado do nosso estudo intitulado "Leibniz e Espinosa sobre temas da Linguagem", in Olga Pombo (2010: p. 143-173). |
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| ISSN: | 2178-2075 |
| DOI: | 10.11606/issn.2178-2075.v2i1p16-30 |